| |
 De Ibn Sara, de Santarém (? - 1123)
Ah, a noite que eu sem fim passei!... o tempo alargava a sua duração e dava-lhe o cerne do que na vida amei. comentaram alguns, pela noite fora, como se ia escoando a sua mansidão. mas a noite apenas consentia a aurora...
Das nuvens tão denso era o breu que já não se sabia o que era terra ou céu. ao longe o raio entre trevas se escondia: era um negro que entre lágrimas sorria.
Brandi alto o sabre da minha vontade e tingi o manto dessa mesma aurora ao ferir o colo da escuridade com o sangue da noite pela noite fora.
Adalberto Alves O meu coração é árabe Assírio & Alvim, Lisboa 1998

| | |
|
|